quinta-feira, 12 de maio de 2016

Quem já passou por isso ...

No relato que fez à Comissão Estadual de indenização às Vítimas de Tortura de Minas Gerais, em 2001, Dilma conta como teve um dente arrancado a socos, sobre as sessões de tortura (algo que parecia ser uma praxe entre os presos interrogados), sobre ser amarrada em um pau de arara e sobre os choques.

Eu vou esquecer a mão em você. Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém sabe que você está aqui. Você vai virar um ‘presunto’ e ninguém vai saber”, era uma das ameaças ouvidas de um agente público no período em que esteve presa. “Tinha muito esquema de tortura psicológica, ameaças (…) Você fica aqui pensando “daqui a pouco eu volto e vamos começar uma sessão de tortura”, contou Dilma.

Dilma foi levada para a Operação Bandeirante no começo de 1970, em Minas Gerais.

“Era aquele negócio meio terreno baldio, não tinha nem muro direito. Eu entrei no pátio da Operação Bandeirante e começaram a gritar: “Mata!”, “Tira a roupa”, “Terrorista”, “Filha da puta”, “Deve ter matado gente”.

E lembro também perfeitamente que me botaram numa cela. Muito estranho. Uma porção de mulheres. Tinha uma menina grávida que perguntou meu nome. Eu dei meu nome verdadeiro. Ela disse: “Xi, você está ferrada”. Foi o meu primeiro contato com o “esperar”. A pior coisa que tem na tortura é esperar, esperar para apanhar. Eu senti ali que a barra era pesada. E foi. Também estou lembrando muito bem do chão do banheiro, do azulejo branco. Porque vai formando crosta de sangue, sujeira, você fica com um cheiro”, relata.

No caso de Dilma, o principal responsável pela tortura era o capitão Benoni de Arruda Albernaz. “Quem mandava era o Albernaz, quem interrogava era o Albernaz. O Albernaz batia e dava soco. Ele dava muito soco nas pessoas. Ele começava a te interrogar, se não gostasse das respostas, ele te dava soco. Depois da palmatória, eu fui pro pau de arara”, conta. Albernaz era o chefe da equipe A de interrogatório preliminar da Oban quando Dilma foi presa, em janeiro de 1970.

Um dos pontos mais gráficos nos trechos do depoimento de Dilma contidos no relatório fala sobre o episódio no qual teve um dente arrancado a socos, que lhe acarretou sequelas até os dias atuais.

Uma das coisas que me aconteceu naquela época é que meu dente começou a cair e só foi derrubado posteriormente pela Oban. Minha arcada girou para outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz completou o serviço com um soco arrancando o dente”, conta Dilma.

“Acho que nenhum de nós consegue explicar a sequela: a gente sempre vai ser diferente. No caso específico da época, acho que ajudou o fato de sermos mais novos, agora, ser mais novo tem uma desvantagem: o impacto é muito grande. Mesmo que a gente consiga suportar a vida melhor quando se é jovem, fisicamente, mas a médio prazo, o efeito na gente é maior por sermos mais jovens. Quando se tem 20 anos o efeito é mais profundo, no entanto, é mais fácil aguentar no imediato".

Fiquei presa três anos. O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente o resto da vida.

Quando eu tinha hemorragia – na primeira vez foi na Oban – pegaram um cara que disseram ser do Corpo de Bombeiros. Foi uma hemorragia de útero. Me deram uma injeção e disseram para não me bater naquele dia. Em Minas Gerais, quando comecei a ter hemorragia, chamaram alguém que me deu comprimido e depois injeção. Mas me davam choque elétrico e depois paravam. Acho que tem registros disso até o final da minha prisão, pois fiz um tratamento no Hospital de Clínicas.

"As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim”, relatou Dilma.

Quem passou por isso ..., não merece ser substituída por isso: Michel Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Henrique Alves, Moreira Franco, Renan Calheiro, Geddel Vieira, Aécio Neves, José Serra, Cássio Cunha Lima, Agripino Maia, Jair Bolsonaro, Paulinho da Força,...desculpem-me, vou parar por aqui, pois já está cheirando mal.  

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Mais do que Golpe, longa e gigantesca Farsa.


Véspera. Recursos contra o impeachment, Gilmar Mendes opina:

-Podem ir ao Céu, ao Papa, ou ao Diabo.

E isso, um ministro do Supremo.

Supremo, o Poder real quando o governo se desmanchou nas suas contradições, erros econômicos, políticos e morais.

Poder real quando a oposição, sócia fundadora do Sistema corrompido, vive de manchetes amigas e o Congresso avacalhou- se.

A expressão golpe, mesmo válida tornou-se uma armadilha. Porque encolhe, reduz a um debate jurídico, e binário, algo que é muito maior, mais abrangente: gigantesca Farsa.

Chamado de "delinquente" por Janot, Cunha fez o que quis...Feito o serviço, sem que a Constituição permita o Supremo detonou o mandato de Eduardo Cunha.

O Supremo estrilou, mídias dançaram sobre o conteúdo. Feito o estrago, sepultaram gravíssimo vazamento ilegal de duas horas de conversa entre Dilma e Lula.

Crime gravíssimo porque gravação além do autorizado pelo juiz Moro, e porque vazado por autores.
Não fosse uma Farsa, quem vazou seria processado. Ou preso.

Basta escolher: Petrolão ou Mensalão? Há dois anos, ou dez anos, corrupção é "O" tema, e levou multidões às ruas.

Mas Dilma é afastada não por acusação formal de corrupção e sim por "pedaladas" que o próprio relator do impeachement, Anastasia, cometeu...Isso é uma Farsa.

E afastada por réus, ou centenas de citados em crimes, inclusive na Lava Jato. Onde, até hoje, dia do processo de afastamento por iniciais 180 dias, não há acusação formal contra Dilma.

Farsa porque, quando no governo, bastava suspeição para o carimbo: "ladrões". Agora vários estão nas manchetes como "ministeriáveis", e só.

Nas próximas horas, ilegítimo, o futuro. Com personagens, histórias e, também, prontuários do passado.

Panelas seguem em silêncio. Não se sabe se por cumplicidade ou vergonha.

O PT errou. Não apenas contra si, mas contra o que representa, representou por décadas.

Com suas qualidades, feitos e defeitos - que milhões aplaudem, ou negam- Lula encarnou tudo isso.
Encarnou tudo que adversários, ou inimigos, sempre desprezaram, odiaram, temeram... E temem.

Por isso, para muito além de erros, de resto comuns a personagens do passado, presente, e do futuro que começa nas próximas horas, a sede de destruí-lo. E com humilhação.


Fonte: Comentarista Bob Fernandes

domingo, 20 de março de 2016

Por que Lula não pode ser Ministro?

Existem as algumas questões que a população não consegue entender. O Deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), presidente da Câmara dos Deputados e principal articulador do impeachment da presidente Dilma Rousseff, responde a 02 Inquéritos Policiais e 01 Ação Penal no STF; Renan Calheiros (PMDB/AL), presidente do Senado Federal, responde a 07 inquéritos policiais no STF. Se formos falar de citação em delação premiada temos, ainda, Senador Aécio Neves (PSDB/MG), hexa vezes delatado, o Vice-Presidente da República, Michel Temer (PMDB/SP), os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA), e Valdir Raupp (PMDB-RO). Então, considerando que os presidentes da Câmara e do Senado, respondem a vários procedimentos no STF e ainda continuam soltos e presidindo as respectivas casas legislativas,.por que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mesmo respondendo a inquérito policial, não pode ser Ministro da Casa Civil? 

Vamos com calma. No Brasil vigora-se o princípio da presunção da inocência, o que é muito bom para sociedade. O individuo tem o direito de se defender sendo lhe garantido o devido processo legal e o contraditório. Ao final, se for julgado e condenado, com sentença transitada em julgado (quando não cabe mais recurso), ai sim podemos afirmar que de fato tal pessoa cometeu um crime. Isso evita algumas injustiças.

Vamos lembrar do caso do ex-governador de Minas Gerais e atual senador Antônio Anastasia (PSDB/MG) que foi citado numa delação premiada e depois o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou o arquivamento de inquérito policial instaurado dentro da Operação Lava Jato. Por isso é tão importante, aguardarmos o andamento dos processos, sem fazermos julgamentos precipitados. 

Infelizmente parte da “mídia” brasileira, por interesses que já conhecemos, não tem ajudado. Primeiro se atira e depois pergunta quem era. Não adianta mais o estrago já tá feito.

Seguindo a regra Constitucional, primeiro apura-se, processa-se e ao final, se houver provas, condena ou absolve. Essa regra deve ser aplicada a Cunha, Renan, Temer, Aécio, Lula, João, Francisco, José, Pedro, Joaquim, periquito e papagaio (...) para todos.

Vamos à pergunta. Por que Lula não pode ser Ministro?

Qualquer pessoa que não tenha nenhuma simpatia política pelo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva sabe que, caso venha ser Ministro da Casa Civil, o Supremo Tribunal Federal não o deixará de investigar. A suprema corte tem dado demonstração de que não poupa ninguém. Sempre é bom lembrar do Mensalão e da forma imparcial como o ministro do STF, Teori Zavascki, vem conduzindo a relatoria da Lava Jato na Corte.

A questão é maior que isso.

Mesmo o maior adversário político de Lula sabe que não se pode subestimá-lo, principalmente pela capacidade de articulação política que ele tem. Não se pode subestimar um metalúrgico que chega a presidência da República. Não se pode subestimar uma pessoa que, apesar de não ter nível superior, construiu no seu mandato 18 universidades federais, 173 novos campi universitários e 422 escolas técnicas.

Não se pode subestimar uma pessoa que, no dia 02 de Abril de 2009, no encontro do G20, em Londres, o presidente americano Barack Obama o aponta e diz: "Esse é o cara! Eu adoro esse cara!". Não se tem um reconhecimento como esse do nada.

A ida do ex-presidente para a Casa Civil está condicionada a autonomia para definir a política econômica, impedir o impeachment e recuperar o apoio de parcelas do PMDB. Por consequência, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), declarou na ultima quarta-feira (16) que Lula tem trânsito indiscutível entre os parlamentares e deve contribuir para o diálogo entre o Planalto e o Congresso.

Todos os temas do governo passam pela Casa Civil. De lá, Lula coordenará toda a interação entre os ministérios e os principais temas do governo, inclusive o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  
Isso é um grande problema para a oposição. Em política não se observa o hoje, mas, principalmente, o amanhã. A eleição da presidente Dilma, em outubro de 2014, já foi uma forte ameaça para a oposição nas eleições de 2018, em razão do temor de se enfrentar o ex-presidente Lula nas urnas. Imagine agora, ele exercendo um papel de Super-Ministro!


A oposição não tem nomes para disputar o processo sucessório de 2018. A oposição foi enxotada da avenida Paulista cuja manifestação ela mesma ajudou a organizar. Ontem, 18, o ex-presidente Lula estava nos braços do povo. Lula é povo. Isso é de fato muito preocupante. LULA não pode ser Ministro. 

 
Cosme Júnior